quinta-feira, 29 de março de 2018

ASPECTOS IMUNOLÓGICOS NORMAIS DA CAVIDADE BUCAL


+ complexos ecossistemas microbianos do corpo

Saliva e fluido crevicular gengival à componentes da imunidade inata e adquirida

PROPRIEDADE GERAIS DA SALIVA
99% de água, 1% de compostos orgânicos e inorgânicos
è Solubilização de substâncias
è Formação do bolo alimentar
è Limpeza de restos de alimentos e diluição dos dedritos
è Lubrificação dos tecidos moles
è Controle do pH
è Trocas iônicas
è Controle hídrico do organismo

FLUIDO CREVICULAR GENGIVAL
è Entre a superfície do dente e do epitélio gengival (sulco)
è Mistura de moléculas originárias do sangue, tecido do hospedeiro e biofilme subgengival
è Fluxo e composição variam conforme o estado de saúde do periodonto
è Inflamação à aumenta o fluxo do fluido à trânsito de células e moléculas de defesa circular + internamente

PAPEL DA IMUNIDADE NO RECONHECIMENTO E NO CONTROLE DOS PATÓGENOS BUCAIS
Ø  Imunidade inata à barreiras epiteliais da mucosa, células fagocíticas
Ø  Receptores de reconhecimento padrão
Ø  Mecanismo de fagocitose, sinalização da infecção por meio de citocinas, liberação de componentes antimicrobianos (enzimas, aglutininas salivares e outras substâncias com poder quelante de íons metálicos ou inibidores de proteases)

IMUNIDADE INATA NOS FLUIDOS ORAIS – COMPONENTES ANTIMICROBIANOS E IMUNORREGULADORES

Enzimas antimicrobianas
v  Lisozima à inclui ação fungistática, gram positivas
v  Peroxidases à derivadas das glândulas salivares e das células polimorfonucleares, proteção das células do hospedeiro da toxicidade dos radicais livres

Aglutinação e adesão bacteriana
v  Mucina à alto peso molecular e relativamente insolúveis que protegem os tecidos moles da cavidade bucal contra a desidratação e danos mecânicos; Glicoproteínas;
Ajuda na prevenção da formação do biofilme;
Capacidade de aglutinação dos organismos à facilitando sua eliminação pela saliva na deglutição;
Glândulas parótidas;
Alta viscosidade quando hidratada àgel

Peptídeos catiônicos à antimicrobianos
Ø  Defensinas: ação bactericida, fungicida e até contra vírus (herpes simples)
Ø  Peptídeo catiônico humano: grânulos dos neutrófilos
Ø  Histatinas: Ricas em histidinas à ação bactericida e fungicida (C. albicans)
Ø  Adrenomedulina: fluido gengival e saliva (altas concentrações), dobra na presença de inflamação

Outras substâncias antimicrobianas

Quelantes de íons metálicos
Ø  Lactoferrina: ação bacteriostática à função de captação de ferro à interferem no crescimento e proliferação microbiana

Inibidores de proteases
Ø  Cistatinas: produzem peptídeos ricos em cisteína à inibem as proteases de cisteínas bacterianas à regulam a inflamação, inibindo as proteases do hospedeiro e as citocinas


IMUNIDADE ADQUIRIDA NOS FLUIDOS ORAIS

Papel da imunoglobulina a secretora na saliva

IgA à predominante na saliva
IgG à inibe a aderência microbiana, forma complexos imunes ativando o complemento à facilita a fagocitose bacteriana
IgM à casos de deficiência da IgA
IgG e IgM à fluido crevicular gengival

Componentes da imunidade adquirida no fluido crevicular gengival
Acúmulo do biofilme à aumento do fluxo e de células da resposta imune

IMUNIDADE AOS AGENTES INFECCIOSOS

Cavidade bucal à principal porta de entrada de patógenos e apresenta a microbiota + complexa

Imunidade aos agentes infecciosos
Ø  Patógenos menores do que as células
Ø  Doença infecciosa à complexa interação entre o agente infeccioso e o hospedeiro
Ø  Entrada do microrganismo, invasão e colonização dos tecidos, evasão do sistema imune e o estabelecimento da doença
Ø  1ª barreira à pele, mucosas e seus produtos de secreção
Ø  Resposta imune à deficiência ou exagero à dano tecidual

Fatores protetores presentes na cavidade bucal

Saliva à regulação da microbiota e proteção contra os microrganismos
è Componentes celulares e moleculares – imunidade inata e adaptativa à promovendo a homeostasia na cavidade bucal
è IgA secretoras
è Saúde sistêmica

Resposta imunológica do hospedeiro a grupos específicos de patógenos

Bactérias à + freqüentes infecções
Ø  Extracelulares: Induzem a inflamação à destruição tecidual no local
o   Produzem toxinas à efeitos patológicos diversos
o   Resposta à contra antígenos da parede celular e toxinas secretadas e associadas à célula
o   Neutralização à o anticorpo pode se ligar a bactéria à impedindo que elas se fixem nas mucosas
o   Conseqüências lesivas à inflamação e o choque séptico. Dificuldade de controlar a resposta inflamatória
o   Susceptíveis a destruição quando fagocitados
Ø  Intracelulares: sobrevivem e se replicam no interior dos fagócitos
o   Ambiente inacessível aos anticorpos circulantes
o   Eliminação à mecanismos da imunidade mediada por células
o   Resistência a fagocitose à tendência a causar infecções crônicas

Fungos à Resulta numa falta de reconhecimento pelo sistema imune ou de uma superativação da resposta inflamatória
o   Resposta à interações entre patógenos e células do sistema imune inato
o   Principal mecanismo de defesa natural à fagócitos à destroem por meio da produção de óxido nítrico e enzimas lisossômicas
o   Oportunistas à não provocam doenças em pessoas saudáveis, mas podem infectar e manifestar doença em imunodeficientes

Vírus à maior variedade de mecanismos para subverter ou escapar das defesas imunes
o   Microrganismos intracelulares obrigatórios
o   Após entrarem nas células à pode causar lesão tecidual e doença por vários mecanismos
o   Autodefesa viral à captura dos genes celulares que quando expressos pelos vírus, podem desviar a resposta imune
o   Podem causar infecções latentes à estado de equilíbrio entre infecção persistente e uma resposta imunológica à controla a infecção à não é capaz de erradicá-la
o   Sistema imune inato à destina a atuar como 1ª linha de defesa para evitar a invasão viral ou a replicação
o   Imunidade adaptativa à mediada por anticorpos à bloqueiam a ligação do vírus e a entrada na célula do hospedeiro
o   Anticorpos à eficaz contra os vírus apenas no estágio extracelular e proteção contra a infecção
o   Vírus da herpes simples à infecta 1º as células epiteliais e se dissemina para os neurônios sensoriais que servem à área da infecção


MANIPULAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE


Controlar a imunidade inadequada ou estimular uma resposta protetora do organismo
Ø  Imunossupressão
Ø  Vacinação

Transplante de tecidos e órgãos
Autotransplante à doador = receptor à enxerto autógeno
Isotransplante à doador e receptor à univitelinos
Alotransplantes à doador e receptor à geneticamente distintos à aloenxerto
Xenotransplante à Humano recebe um tecido de um animal à xenoenxerto

Tipos de rejeição de aloenxertos
Rejeição hiperaguda à trombose e oclusão vascular do enxerto minutos ou hora do contato à rapidamente
IgM à se ligam ao endotélio à ativam o sistema complemento
Incompatibilidade do sistema ABO
Xenotransplante à IgG e IgM

Rejeição aguda à lesão vascular e parenquimatosa
1ª semana do transplante à alotransplante
Células T à CD4+ quanto CD8+ e anticorpos à destruição direta do enxerto ou produzir citocinas à ativam células inflamatórias
Trombose e necrose nas paredes dos vasos sanguíneos
Rejeição crônica à 6 meses a 1 ano. Espessamento das paredes dos vasos. Fibrose intersticial à proliferação de células musculares lisas da camada íntima dos vasos

Prevenção das doenças pelas vacinas
Ø  Imunização ativa: antígenos são introduzidos no hospedeiro para estimular a resposta imune humoral
Ø  Imunização passiva: ocorre a transferência de anticorpos específicos para o hospedeiro; duração limitada

Vacinas virais à compostas por preparações do vírus causador da doença, tornando-o inativo ou atenuado à vivo; mas sofre mutação e é incapaz de se reproduzir ou de ser patogênico
Vacinas bacterianas à bactérias integrais (atenuadas), toxinas bacterianas polissacarídeos capsulares

Anormalidades nas respostas imunológicas


Reconhecimento que diferenciam os componentes celulares dos agentes infecciosos daqueles que pertencem ao próprio organismo

Hipersensibilidade:
  • ·         Reações excessivas de antígenos
  • ·         Leve desconforto ou morte
  • ·         Iniciada tanto pela reação antígeno-anticorpo quanto por mecanismos imunes mediados por células

Doenças autoimunes:
  • ·         Resposta imunológica conta os constituintes do próprio organismo à lesão aos tecidos
  • ·         Falha nos mecanismos de autotolerância
  •       Reação de hipersensibilidade

v Hipersensibilidade tipo I: Anafilaxia
Antígenos ambientais à alérgenos
1.      Fase de sensibilização: 1º contato com o antígeno à desenvolver IgE
2.      Fase de latência: IgE causa reações alérgicas à 2 e 3 semanas
3.      Resposta imediata quando ocorre a reintrodução do antígeno à pré-ativação mediada por IgE dos mastócitos, basófilos e eosinófilos
4.      Ativação de células e liberação de mediadores químicos. Desgranulação dos mastócitos à histamina e heparina à tóxicas para os parasitas
Constrição das vias aéreas e secreção maior de muco
Basófilos à grânulos à supressão dos eosinófilos
Eosinófilos à remodelação do tecido conjuntivo
Resposta inicial à 5 a 30 minutos após o contato à dura até 1 hora à liberação de mediadores inflamatórios e indução de vasodilatação
Tardio à infiltração de células à edema e danos teciduais à 8 horas após a reação inicial e dura vários dias à resposta inflamatória crônica
Rinite: edema local, obstrução das vias aéreas e produção de muco. Pode se estender para as conjuntivas dos olhos, não causam lesão tecidual duradoura
Asma à + grave, inflamação persistente de leucócitos à crônica
Alergias alimentares: produz IgE à 2º contato. Cólicas, vômitos à reações locais urticária e angioedema à reações a distância

v  Hipersensibilidade tipo II: anticorpos – IgG ou IgM à reagem contra componentes antigênicos de células do hospedeiro ou contra antígenos teciduais
Destruição celular
Opsonização e fagocitose: Causa das doenças autoimunes; Celulas humanas – reconhecidas como corpos estranhos à incorporação de novos epítopos na superfície das hemácias e plaquetas. Medicamentos: penicilinas, quinidina e metildopa. Hemólises transfusionais e eritroblastose fetal
Inflamação mediada por células: Neutrófilos e macrófagos à se ligam aos anticorpos à estimulam a liberação de mediadores químicos da inflamação causando lesão tecidual
Resposta fisiológicas anormais sem lesão celular: Doenças sem gerar lesão tecidual à hipertireoidismo, miastenia grave

v  Hipersensibilidade tipo III: mediadas por imunocomplexos – formação e complexos com antígenos do próprio hospedeiro e antígenos externos
Lupus eritematoso
Tamanho intermediário: ativa o complemento e desencadeia a resposta inflamatória

v  Hipersensibilidade tipo IV à tipo tardio – 1 a 3 dias após o contato com o antígeno à altíssimas quantidades para produzir esse tipo de reação
Internalização do antígeno pelas APCs à processado e apresentado para as células T antígeno-específicas à liberam citocinas e quimiocinas para o local. Ex.: Diabetes melito tipo 1, esclerose múltipla, artrite reumatóide

Autoimunidade à quebra dos mecanismos de resposta aos autoantígenos ou autotolerância. Reações imunológicas contra os constituintes do próprio corpo.
è Células T e B reconhecem as células residentes como estranhas e causam lesão direta ou indireta aos tecidos

Doenças autoimunes órgão-específicas:
Ø  Hipotireoidismo: produzidos anticorpos e células T efetoras para os antígenos da tireóide à destruição do tecido e a formação de centro linfóide na tireóide
Ø  Hipertireoidismo: o organismo produz um anticorpo antirreceptor de TSH, diminui a síntese e liberação contínua de hormônios tireoideanos
Ø  Diabetes melitus tipo I: Destruição das células B do pâncreas que secretam insulina à ilhotas de langerhans

Tratamento das doenças imunológicas

Diminuição da resposta imune à anti-inflamatórios à corticoesteroides
Imunossupressores (ciclosporina) à casos mais graves à bloqueiam a ativação de células T
Imunodeficiências à aumentam a suscetibilidade às infecções
Ø  Imunodeficiências 1ª ou congênitas à resposta imune inata à sistema complemento ou fagócitos – interferindo na resposta inicial aos patógenos. Tratamento: controle de infecções (antibióticos) e reposição do componente imunológico defeituoso
Ø  Adquiridas ou 2ª à complicação biológica de outra doença ou de tratamento realizado à HIV, sarampo